domingo, 23 de maio de 2010

O Melhor e o Pior

Geralmente quando estou trabalhando ou simplesmente navegando aqui pelo note, seja na mesa ou na cama – inverno é um problema, debaixo das cobertas até na internet – a TV está ligada e de vez em quando dou uma espiada de rabo de olho para algo que chame minha atenção. Mas na maioria das vezes apenas escuto mesmo. Sei contar as histórias dos filmes e novelas sem nem conhecer o rosto dos personagens.

E ultimamente duas coisas me fazem parar completamente o que estou fazendo para escutar com atenção. Uma me faz sorrir, outra me dá vontade de chorar...

Um comercial de seguros da SulAmérica fez uma Ode ao Aborrecimento e é impossível não sorrir ao “escutar” o tal comercial!


“Ah, o aborrecimento!

Nada como um probleminha que não possa virar um problemão...

Aquele minutinho de dor de cabeça que acaba com seu dia!

Leva embora seu tempo, seu humor, sua paciência...

E os xingamentos?

Ah, os xingamentos! O aborrecimento em forma de poesia...

Pra que sorrir se você pode gritar, resmungar, esbravejar?!

- Aborrecimento é assim: se você não resolve logo, acaba tendo que se acostumar com ele...”




Já a Globo coloca no ar de hora em hora uma propaganda da Som Livre do novo cd do Aviões do Forró (hã?!) Chorar é a coisa mais sóbria e educada que dá vontade de fazer. Quem tem tendências depressivas como eu, pode acabar se matando de desgosto e vergonha em escutar pérolas como:

“Na sua boca eu viro fruta
Chupa que é de uva
Chupa, chupa
Chupa que é de uva”

ou

“O amor é feito capim
Mas veja que absurdo:
A gente planta, ele cresce
Aí vem uma vaca e acaba tudo”

ou

“Ela vai de saia de bicicletinha
Uma mão vai no guidom e a outra tapando a calcinha”



É ruim, ruim, ruim, ruim, ruim demais!!!!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Conversa Afiada


As noites de conversas amistosas com amigos sempre são bem vindas. No aconchego da nossa casa ou de uma casa onde somos bem recebidos, melhor ainda. E o que dizer quando essa reuniãozinha se dá na cozinha, no calorzinho do forno acesso de onde saem coisinhas gostosas para beliscar e acompanhar as piadas e os debates que se sucedem a mesa??

Mesa boa é assim: rola conversa afinada e afiada. Se fala do cotidiano. Da dieta que não foi feita, da rotina do trabalho, da limpeza da casa, de como as mulheres são de Venus e os homens de Marte. Isso sim dá discussão, mas se somos (nós, mulheres) maioria a mesa a coisa sempre fica a nosso favor. E se não fica, falamos mais alto e mudamos de assunto para não dar razão aos tais marcianos.

Como concordar com os marcianos quando eles insistem em dizer que pensamos da mesma forma que eles quando o assunto são os relacionamentos amorosos?? Com eles o casamento que está maçante se arrasta por tempo indeterminado por pura acomodação e quando acaba, por iniciativa das mulheres, eles logo tratam de se aninhar nos braços de alguma periguete com metade de sua idade.

Alguma mulher faz isso???

Por favor, alguém aí levante o dedo e confirme isso pra mim.

Porque eu nunca me imaginei numa situação dessa e acredito que estou com a maioria.

Eles falam que a tal periguete acrescentam vivacidade e dinamismo as suas vidas. SEI!

O desfile com a ninfeta pela rua mais badalada da cidade é o que importa. Estou enganada?

As venusianas estão muito mais interessadas em reorganizar suas vidas administrando as contas com o ínfimo salário do mês e equilibrando o orçamento com programas de qualidade acompanhada dos bons amigos. Se num desses programas algum bebê nos rende um elogio, sorrimos com o ego massageado, pode rolar algo mais, mas nem por isso saímos desfilando de braços dados com o menino pela cidade.

Vejam, não estou aqui criticando quem faz. Mas acredito que a grande maioria não faz.

Mais uma vez pergunto: estou enganada???
Não adianta... Homens e mulheres pensam de forma muito diferente. E não é questão de idade ou escolaridade ou fatores financeiros ou religião ou ou ou... Homens são homens, mulheres são mulheres e pronto.

Mas essas discussões são extremamente saudáveis entre amigos queridos e terminam sem soluções, ninguém dá o braço a torcer e a única coisa que resta é brindar às diferenças que sempre irão atrair homens e mulheres!!!



quinta-feira, 13 de maio de 2010

O surto nosso de cada dia!


Estava tentando adaptar um texto para o espetáculo de teatro e me peguei imaginando o que me irritava demais nessa vida para escrever sobre os surtos nossos de cada dia.


Imaginem a cena:


Lugar: Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.

Dia: 24 de julho, ápice do inverno.

Horário: 02h35min da madrugada.

Temperatura: 8 graus

Sensação térmica: -5 graus


Colocar o dedo para o lado de fora da janela por mais de cinco minutos é caso de congelamento certo com direito a amputação depois, mas dentro do quarto tudo é calor. Tudo aconchegante com aquecedor ligado, vários edredons na cama, moleton, meias de lã...

De repente uma vontade imennnnnnnnsa de fazer xixi. A vontade de fazer xixi no frio aumenta drasticamente como se fosse um castigo divino de algo que ficou mal resolvido na última vida.

Como é mesmo o nome daquele penico que usam em hospitais para os doentes que não podem se levantar?* Porque eu não tenho um destes???

Tá, pensar essas besteiras não aliviará minha bexiga. Não tem jeito. Rastejo lentamente para fora da cama tentando me mexer o mínimo possível, para não espantar o calorzinho do corpo. O banheiro fica ali, a três cômodos do quarto, mas parecem quilômetros sem fim. Nem acendo as luzes e sigo tateando o caminho. E no terceiro passo para dentro do banheiro algo sai errado...


AHHHHHHHHHHHHHHHHHHH EU MATO ESSE FILHO DA P#T#. QUEM FOI O CORNO DO C###LH# QUE TOMOU BANHO E INUNDOU A M#RD# DO BANHEIRO?? QUEM FOI O DESGRAÇADO DE UMA P#RR# QUE SAIU DO BOX PINGANDO DEIXANDO POÇAS DO TAMANHO DE C#S NA P#RR# DO CHÃO DO C###LH#??? EU MATO!!! V##DO, FILHO DE UMA P#R#NH# DESGRAÇADA DE UMA P#RR#...


Meias molhadas!!!

Quase nada...

Fresca?? Eu????

Que isso... e nesse dia eu nem estava com TPM!!!

* O nome do tal penico de hospital é comadre!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Volta do mundo, mundo dá volta!!!






No último sábado a programação foi o que se pode dizer melhor impossível. Um pacotão de cinema, teatro e dança num dia de sol e noite fresca no Rio de Janeiro.

Alice na viagem da dupla Depp/Burton é excepcional. Opinião de mera espectadora, porque a crítica esta caindo de pau. Como eu não dou muita trela para críticos de cinema, ADOREI.


Corre de Botafogo para o Flamengo, cai no Espaço Oi e Paula Águas é encantadora com As Fábulas de Da Vinci, dança para crianças de todas as idades, uma delicia. Pausa para o café e tempo livre para andar a toa na Lavradio e no fim da feira. Quero pegar essa feira no começo e com dinheiro, porque é interessantíssima. E o teatro. Ali mesmo na Lapa, na Escadaria Selaron, Teatro da Cia dos Atores, As Engrenagens. Um texto quase bizarro , mas só quando esquecemos que a vida não é teatro. Bons atores, boa direção, boa produção deu no que deu: fechamento de sábado cultural com chave de ouro. Epa, fechamento não, faltou falar dos ótimos amigos que só engrandeceram o dia - Rosa, César, Laila e Renata, a Gaspar! e depois Joice Marino, a mãe sem vergonha dAs Engrenagens (rsrs) -, das conversas animadas na mesa do bar, da cerveja gelada que não podia faltar!


E quando estávamos subindo a serra, ou quando já estávamos na serra propriamente dita, o sono me atacou, mas anda escutava o radio ao fundo com Renata, a Gaspar, entusiasmada com uma versão de Parabolicamará do Gil.


“Pela onda luminosa
Leva o tempo de um raio
Tempo que levava Rosa
Pra aprumar o balaio
Quando sentia
Que o balaio ia escorregar”

- Isso e poesia de Gil, só ele mesmo, dizia a moça do banco da frente.


Casa, banho, desaba na cama...


Me esqueci desse detalhe até ouvir a tal versão outra vez na rádio na tarde de terça sem conseguir identificar quem a cantava. E não é que estava bonita mesmo. Fuça daqui, fuça dali, Santo Google me auxilia e descubro Anna Ratto.

Palhinha da página da moça: “Segundo cd de carreira, ‘Girando’ vem reafirmar a paixão de Anna Ratto pela cultura popular. Anna apimenta o tempero de sua apresentação com a influência marcante de ritmos do nordeste. Os arranjos mostram uma leitura modernizada, no estilo MPB pop, com o peso das alfaias do maracatu.”

Tem como ficar ruim???

É a dica, procurem para ouvir, conhecer e com certeza, gostar!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sem vontade...

A pergunta de hoje é: o que eu vou fazer quando acordar amanhã?

Amanhã - A pergunta de hoje é: o que eu vou fazer quando acordar amanhã?

Depois de amanhã – A pergunta de hoje é: o que eu vou fazer quando acordar amanhã?

Não é falta do que fazer. É falta de vontade de fazer.

Os livros se acumulam em cima da mesa, os telefones se acumulam na agenda, os e-mails se acumulam na caixa de entrada, a poeira se acumula nos móveis, as preocupações se acumulam na cabeça e nada me dá vontade.

Tem montes de xícaras de café ao meu lado e elas só demonstram uma resistência minha em querer vontade, mas é fraco, é frio, é pouco, muito pouco. Há de se tomar 1392 xícaras de café forte e quente para me dar vontade.

Cheques pra preencher, problemas pra resolver, lençóis pra serem trocados, armários pra arrumar – é prateleira demais!

Reunião para marcar, projeto para enviar.

E amanhã tenho que acordar.

Pra fazer o que?

Melhor voltar a dormir...

Ahhhh... já to escutando o esporro dos que são elétricos e não se deixam abater.

Me abati sim. Tem dias assim. Tem dias piores. Tem dias que nem deveriam ser dias.

Mas o dia acaba e amanhã a pergunta de hoje é: o que vou fazer quando acordar amanhã?

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Eu queria ser pobre um dia...

... porque ser pobre todo dia é F* !!!!

Todos os petropolitanos estão cansados de saber que o transporte público por aqui anda muito mal das pernas (ou rodas e carroceria e motor e tudo junto num só veículo). Hoje precisei levar um contrato até um local de apresentação e não teve jeito: ônibus!

Para inicio de conversa o itinerário de minha casa até o tal lugar não tem uma linha direta, então foi preciso muita baldeação. Da minha casa até o Centro é tranqüilo. Tão tranqüilo que qualquer dia o dono da empresa que faz a linha tirara o ônibus de circulação. O povo aqui anda mesmo é a pé. No meio da manhã ou no meio da tarde se tem como únicas companhias dentro do veiculo cobrador e o motorista. Nos horários de maiores picos só tem estudante e idoso. Sendo assim, prejuízo na certa.

Chegando ao Centro peguei um ônibus para o meio do meu destino final. Aff... o que era aquilo? Muita gente entulhada, com suas bolsas, mochilas e mau humor. Depois de conseguir passar pela roleta fiquei entalada entre um garotão, uma senhora com duas enormes sacolas de compras no chão, um senhor um tanto quanto avantajado e um homem cheio de pastas e malas. Eu só tinha uma mão livre. Foi um exercício de equilíbrio. Na outra mão o tal contrato que não poderia ser entregue amassado. Mas como conseguir tal proeza? Me senti em uma prancha de surf, num mar agitado. Cada curva era uma oração para que eu não caísse nos repolhos da moça ao lado. Num momento de distração quase caí e me agarrei a campainha que fez o motorista parar no ponto seguinte. Ninguém desce. O cobrador reclama. Toca o ônibus!!! Sabe o que foi mais incrível? Todos os 256 passageiros iam descer no mesmo lugar que eu. O negócio não esvaziou!!! Depois de 40 minutos me equilibrando e me desculpando pelos pés que pisei, cheguei ao terminal para pegar o ônibus para o meu destino final.

Qual é mesmo o ônibus que tenho que pegar???

Peço informação e mal pude acreditar quando o senhor aponta para um ônibus vazioooo esperando no ponto. Entrei, sentei confortavelmente (na medida do possível), dei uma folheada no contrato causador de toda aquela aventura e quando o motorista entra e dá partida no motor, passageiros aparecem não sei de onde. Pareciam se materializar ali sem mais nem menos. Lotou!!! Pelo menos eu estava sentada. Mais 40 minutos e cheguei finalmente ao prédio. Fui cuspida do ônibus. Entrei no prédio, falei com o porteiro, entreguei o contrato e em cinco minutos estava eu de volta ao ponto do ônibus para fazer o caminho de volta. Tudo de novo...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Arnaldo Jabor - O Rio teve duas enchentes: a chata e a dramática

No Rio de Janeiro há duas enchentes, duas. Uma delas é drama. Atingiu a mim, por exemplo, que moro na Lagoa e fiquei ilhado. Chato, muitos outros perderam a hora, tiveram de andar de barquinho, carros boiando. Super chato.

A outra enchente é a tragédia. Barracos deslizando, famílias morrendo na lama. A catástrofe natural ilumina a catástrofe social. As pessoas não estão lá por imprudência, como dizem as autoridades, “ah, não medem o perigo”.

Não são imprudentes, são POBRES, não tem onde morar com segurança. A diferença entre drama e tragédia é que tragédia se encerra com a morte inevitável. No Rio há um tipo de tragédia que se repete como um drama sem fim.

O Rio fica mais visível não a luz do sol, com barquinhos na baia a deslizar. O Rio fica mais claro na chuva. Vemos a verdade que se esconde na paisagem. Uma cidade com a grande maioria de pobres e desamparados, a mercê de décadas de governantes irresponsáveis e corruptos.

Mas eles estão tranquilos, suas fichas sujas jamais serão exibidas, como vimos hoje (quarta) na Câmara Federal, que adiou o desejo de um milhão e meio de brasileiros.

Os irresponsáveis são até abraçados por político em campanha. Eles só esperam as águas baixarem e as notícias sumirem. Até outra tragédia em que a culpa é dos mortos.

qui, 08/04/10 por Arnaldo Jabor - Jornal da Glob0

terça-feira, 6 de abril de 2010

O dia em que o Rio de Janeiro parou.

O fato de cair chuvas torrenciais ao longo do ano aqui em Petrópolis nem de longe nos faz acostumar com as tragédias que elas podem provocar.
Hoje ao acordar, ligo a TV e vejo uma cena que fez meus olhos vidrarem e a boca ficar aberta por alguns momentos: trânsito completamente parado na Linha Vermelha e milhares de pessoas andando por entre os carros. Aquilo me deu a sensação (sem o menor pudor de estar sendo dramática) de fim de mundo. Fui tomando ciência da situação e quanto mais via, menos acreditava. Um verdadeiro caos tomou conta do Rio de Janeiro e também cidades vizinhas como Niteroi, com muitas vítimas, São Gonçalo, Duque de Caxias, aqui em Petrópolis...
Até o momento que escrevo são 95 mortos em 24 horas de chuvas.


Tijuca

Jardim Botânico

Santo Cristo

Niterói

Morro dos Prazeres

Morro dos Prazeres

Morro da Formiga

Laranjeiras

Laranjeiras

Lagoa

Lagoa

Jardim Maravilha

Ilha do Governador

Morro do Borel

Copacabana

Botafogo

Morro do Borel

Jardim Botânico
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