
Nesse último fim de semana tive uma experiência única e maravilhosa.
Tenho um filho de 12 anos. Aos 9 entrou para um colégio de freiras que as aulas de música eram trabalhadas com flautas doces. João, meu filho, logo se interessou bastante e passou o ano encantado com o instrumento que ao soprar se traduzia em magia. Aprendia as partituras que sua professora passava e ia além: queria as partituras dos alunos das séries seguintes, que na teoria deveriam ser mais complicadas, mas o menino tirava de letra.
Ao fim do ano não deu outra: "Mãe, quero uma flauta transversa de Natal. Você me coloca na aula particular?"
Com todo aquele interesse é dificil dizer não. Procurei alguns músicos pela cidade, tirei opiniões, fiz contas e comprei a tal flauta transversa, pagas em 10 prestações em cinto apertado, mas valendo cada centavo. Na noite de Natal eu não sabia o que brilhava mais, a beleza prateada da flauta ou os olhos de um menino sonhador. Foi emocionante.
Flauta em mãos, vamos às aulas.
Breno Moraes era o professor. Rapaz dedicado a música, talentoso e com um carisma apaixonante. Ao final daquele ano a apresentação dos alunos de Breno arrancaram aplausos e lágrimas da mãe coruja que pode escutar seu filho 'soprando' Tom Jobim, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Ary Barroso, Dorival Caymmi...
No meio de 2008 uma mudança de agenda do professor e a grana apertada da mãe coruja fizeram com que as aulas fossem interrompidas. João com 11 anos, querendo desbravar novas coisas, não se importou muito, mas volta e meia ensaiava sozinho o que já tinha aprendido, não deixando esquecer, sabendo que um dia a flauta voltaria com força em sua vida.
E voltou. Bem mais cedo do que imaginava.
Julho é mês de Festival de Inverno do Sesc em Petrópolis.
De olho no site do sesc a cada dia todos esperam a programação sair para aproveitar música, teatro, literatura, dança de altíssima qualidade e, o que é melhor, de graça. Os olhos passeiam por nomes famosos, mas um em especial chamou minha atenção: Carlos Malta. Não tive dúvidas, passei a mão no telefone, me informei de tudo, corri ao Palácio Quitandinha e fiz a inscrição de João para uma Oficina de Flauta com Carlos Malta.
Antes de continuar a história preciso contar quem é Carlos Malta para os mais distraídos.
"Grandes ventos, grandes sons, o sopro do Brasil, original e criativo, com uma música exuberante e arrebatadora. Compositor, instrumentista, arranjador e professor, é um dos principais nomes do sopro brasileiro em atividade. Começou a tocar profissionalmente aos 18 anos, e passou 12 anos acompanhando Hermeto Pascoal em seus shows. Outros músicos com quem tocou foram Egberto Gismonti, Pat Metheny, Ernie Watts, Gil Evans, Marcus Miller, Charlie Haden, Wagner Tiso e Nico Assumpção. É um dos mais requisitados em gravações, tendo tocado em discos de Lenine, Paralamas do Sucesso, Leila Pinheiro, Marcos Suzano, Caetano Veloso e outros. Toca diversos tipos de flauta, desde flauta-baixo até pifes, passando por modelos orientais e indígenas, feitos de bambu. Também domina a família dos saxofones, tendo aprendido quase tudo por conta própria. Tocou nos festivais de Cannes, Montreal, Hamburgo, North Sea, Paris, Vancouver. Hoje está com o grupo Pife Muderno fazendo releituras contemporâneas das bandas de pifano, viajando pelas raízes nordestinas com uma fluência que entusiasmou músicos de peso como Alceu Valença. O grupo conta ainda com a flautista Andrea Ernest Dias e a percussão de Marcos Suzano, Oscar Bolão e Durval Pereira, e executa um repertório que tem Luiz Gonzaga, João do Vale, Edu Lobo, Caetano Veloso, Guinga, Aldir Blanc, e Hermeto Pascoal, além do próprio Malta. Em 2000 foi indicado ao prêmio Grammy Latino na categoria Raízes."
João foi fazer a oficina e a mãe coruja, é claro, foi assistir. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Meu filho, ali, com flauta em punho, tocando com Carlos Malta. "Toca aí, João" dizia Malta. E João tocava. E Malta sorria. Foram 4 horas de workshop onde poucos 'aprendizes' puderam entremear pelos pifes, flautas e ainda a percussão do Pife Muderno. Puderam presenciar o 'escultor dos ventos' tocando Ponteio de olhos fechados, bem pertinho. Era quase divino. Os olhos de quem estava ali para aprender e admirar não piscavam, as bocas não fechavam. Era difícil até respirar com medo de perder alguma coisa.
E para encerrar dois dias de 'trabalho duro', o show. Aí é sem comentários!!!
O palco fica pequeno para tanto talento. É uma explosão de sons e ritmos, onde não dá para saber se é hora de aplaudir ou de chorar. Bem, eu fiz os dois ao mesmo tempo...
Esse fim de semana será inesquecível para mim e tenho certeza, para todos que estavam presentes nesse momento abençoado pelos deuses da música.
Ao fim do ano não deu outra: "Mãe, quero uma flauta transversa de Natal. Você me coloca na aula particular?"
Com todo aquele interesse é dificil dizer não. Procurei alguns músicos pela cidade, tirei opiniões, fiz contas e comprei a tal flauta transversa, pagas em 10 prestações em cinto apertado, mas valendo cada centavo. Na noite de Natal eu não sabia o que brilhava mais, a beleza prateada da flauta ou os olhos de um menino sonhador. Foi emocionante.
Flauta em mãos, vamos às aulas.
Breno Moraes era o professor. Rapaz dedicado a música, talentoso e com um carisma apaixonante. Ao final daquele ano a apresentação dos alunos de Breno arrancaram aplausos e lágrimas da mãe coruja que pode escutar seu filho 'soprando' Tom Jobim, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Ary Barroso, Dorival Caymmi...
No meio de 2008 uma mudança de agenda do professor e a grana apertada da mãe coruja fizeram com que as aulas fossem interrompidas. João com 11 anos, querendo desbravar novas coisas, não se importou muito, mas volta e meia ensaiava sozinho o que já tinha aprendido, não deixando esquecer, sabendo que um dia a flauta voltaria com força em sua vida.
E voltou. Bem mais cedo do que imaginava.
Julho é mês de Festival de Inverno do Sesc em Petrópolis.
De olho no site do sesc a cada dia todos esperam a programação sair para aproveitar música, teatro, literatura, dança de altíssima qualidade e, o que é melhor, de graça. Os olhos passeiam por nomes famosos, mas um em especial chamou minha atenção: Carlos Malta. Não tive dúvidas, passei a mão no telefone, me informei de tudo, corri ao Palácio Quitandinha e fiz a inscrição de João para uma Oficina de Flauta com Carlos Malta.
Antes de continuar a história preciso contar quem é Carlos Malta para os mais distraídos.
"Grandes ventos, grandes sons, o sopro do Brasil, original e criativo, com uma música exuberante e arrebatadora. Compositor, instrumentista, arranjador e professor, é um dos principais nomes do sopro brasileiro em atividade. Começou a tocar profissionalmente aos 18 anos, e passou 12 anos acompanhando Hermeto Pascoal em seus shows. Outros músicos com quem tocou foram Egberto Gismonti, Pat Metheny, Ernie Watts, Gil Evans, Marcus Miller, Charlie Haden, Wagner Tiso e Nico Assumpção. É um dos mais requisitados em gravações, tendo tocado em discos de Lenine, Paralamas do Sucesso, Leila Pinheiro, Marcos Suzano, Caetano Veloso e outros. Toca diversos tipos de flauta, desde flauta-baixo até pifes, passando por modelos orientais e indígenas, feitos de bambu. Também domina a família dos saxofones, tendo aprendido quase tudo por conta própria. Tocou nos festivais de Cannes, Montreal, Hamburgo, North Sea, Paris, Vancouver. Hoje está com o grupo Pife Muderno fazendo releituras contemporâneas das bandas de pifano, viajando pelas raízes nordestinas com uma fluência que entusiasmou músicos de peso como Alceu Valença. O grupo conta ainda com a flautista Andrea Ernest Dias e a percussão de Marcos Suzano, Oscar Bolão e Durval Pereira, e executa um repertório que tem Luiz Gonzaga, João do Vale, Edu Lobo, Caetano Veloso, Guinga, Aldir Blanc, e Hermeto Pascoal, além do próprio Malta. Em 2000 foi indicado ao prêmio Grammy Latino na categoria Raízes."
João foi fazer a oficina e a mãe coruja, é claro, foi assistir. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Meu filho, ali, com flauta em punho, tocando com Carlos Malta. "Toca aí, João" dizia Malta. E João tocava. E Malta sorria. Foram 4 horas de workshop onde poucos 'aprendizes' puderam entremear pelos pifes, flautas e ainda a percussão do Pife Muderno. Puderam presenciar o 'escultor dos ventos' tocando Ponteio de olhos fechados, bem pertinho. Era quase divino. Os olhos de quem estava ali para aprender e admirar não piscavam, as bocas não fechavam. Era difícil até respirar com medo de perder alguma coisa.
E para encerrar dois dias de 'trabalho duro', o show. Aí é sem comentários!!!
O palco fica pequeno para tanto talento. É uma explosão de sons e ritmos, onde não dá para saber se é hora de aplaudir ou de chorar. Bem, eu fiz os dois ao mesmo tempo...
Esse fim de semana será inesquecível para mim e tenho certeza, para todos que estavam presentes nesse momento abençoado pelos deuses da música.
Eh isso aí Rê!! vamos exigir cota para os albinos! hahahaha
Brincadeira... claro que não! O Brasil é formado por uma população extremamente heterogênea e acho que, pelo fato dela ser assim, é difícil para as pessoas enxergarem os vínculos que as unem como povo de uma nação... Daí o senso comum vai se perdendo no individualismo das “raças”. Sabe aquela máxima de que um erro não justifica o outro? Pois eu também acho que abrir uma exceção pra favorecer alguém vai fazer a regra da desigualdade social mudar! Fora que é ridículo, né? Esse monte de cotas, de preferências... O perfil do brasileiro em suma é carente... a partir daí ele oscila entre invejoso (quando acha que alguma classe ta sendo mais favorecida que ele) e solidário (qdo fica com peninha da que ele entende ter sido prejudicada). O governo tem que ensinar mais esse povo a pescar do que ficar dando o peixe através dessas esmolas que ele chama de “programa social” e o brasileiro tem que parar de querer sempre q dá um "jeitinho" d se sobressair... Como eu disse no twitter, se não for pela mídia, ele tenta tirando proveito da própria desgraça! É patético! A massa precisa entender a sua ascensão só vai acontecer quando houver uma ascensão em conjunto! E que medidas paliativas (vulgo tapar o sol com a peneira como o caso das cotas) não resolvem os problemas... Já to cansada de discursar sobre isso, mas o Brasil precisa ser re-educado (ai a nova regra do portuga agora, hein?!rs), precisa de novos valores e de sabedoria pra lidar com eles. Pra mim, a única esperança está nos nossos filhos/netos (e olhe lá).