segunda-feira, 27 de julho de 2009

Carlos Malta, marcante!


Nesse último fim de semana tive uma experiência única e maravilhosa.
Tenho um filho de 12 anos. Aos 9 entrou para um colégio de freiras que as aulas de música eram trabalhadas com flautas doces. João, meu filho, logo se interessou bastante e passou o ano encantado com o instrumento que ao soprar se traduzia em magia. Aprendia as partituras que sua professora passava e ia além: queria as partituras dos alunos das séries seguintes, que na teoria deveriam ser mais complicadas, mas o menino tirava de letra.
Ao fim do ano não deu outra: "Mãe, quero uma flauta transversa de Natal. Você me coloca na aula particular?"
Com todo aquele interesse é dificil dizer não. Procurei alguns músicos pela cidade, tirei opiniões, fiz contas e comprei a tal flauta transversa, pagas em 10 prestações em cinto apertado, mas valendo cada centavo. Na noite de Natal eu não sabia o que brilhava mais, a beleza prateada da flauta ou os olhos de um menino sonhador. Foi emocionante.
Flauta em mãos, vamos às aulas.
Breno Moraes era o professor. Rapaz dedicado a música, talentoso e com um carisma apaixonante. Ao final daquele ano a apresentação dos alunos de Breno arrancaram aplausos e lágrimas da mãe coruja que pode escutar seu filho 'soprando' Tom Jobim, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Ary Barroso, Dorival Caymmi...
No meio de 2008 uma mudança de agenda do professor e a grana apertada da mãe coruja fizeram com que as aulas fossem interrompidas. João com 11 anos, querendo desbravar novas coisas, não se importou muito, mas volta e meia ensaiava sozinho o que já tinha aprendido, não deixando esquecer, sabendo que um dia a flauta voltaria com força em sua vida.
E voltou. Bem mais cedo do que imaginava.
Julho é mês de Festival de Inverno do Sesc em Petrópolis.
De olho no site do sesc a cada dia todos esperam a programação sair para aproveitar música, teatro, literatura, dança de altíssima qualidade e, o que é melhor, de graça. Os olhos passeiam por nomes famosos, mas um em especial chamou minha atenção: Carlos Malta. Não tive dúvidas, passei a mão no telefone, me informei de tudo, corri ao Palácio Quitandinha e fiz a inscrição de João para uma Oficina de Flauta com Carlos Malta.
Antes de continuar a história preciso contar quem é Carlos Malta para os mais distraídos.

"Grandes ventos, grandes sons, o sopro do Brasil, original e criativo, com uma música exuberante e arrebatadora. Compositor, instrumentista, arranjador e professor, é um dos principais nomes do sopro brasileiro em atividade. Começou a tocar profissionalmente aos 18 anos, e passou 12 anos acompanhando Hermeto Pascoal em seus shows. Outros músicos com quem tocou foram Egberto Gismonti, Pat Metheny, Ernie Watts, Gil Evans, Marcus Miller, Charlie Haden, Wagner Tiso e Nico Assumpção. É um dos mais requisitados em gravações, tendo tocado em discos de Lenine, Paralamas do Sucesso, Leila Pinheiro, Marcos Suzano, Caetano Veloso e outros. Toca diversos tipos de flauta, desde flauta-baixo até pifes, passando por modelos orientais e indígenas, feitos de bambu. Também domina a família dos saxofones, tendo aprendido quase tudo por conta própria. Tocou nos festivais de Cannes, Montreal, Hamburgo, North Sea, Paris, Vancouver. Hoje está com o grupo Pife Muderno fazendo releituras contemporâneas das bandas de pifano, viajando pelas raízes nordestinas com uma fluência que entusiasmou músicos de peso como Alceu Valença. O grupo conta ainda com a flautista Andrea Ernest Dias e a percussão de Marcos Suzano, Oscar Bolão e Durval Pereira, e executa um repertório que tem Luiz Gonzaga, João do Vale, Edu Lobo, Caetano Veloso, Guinga, Aldir Blanc, e Hermeto Pascoal, além do próprio Malta. Em 2000 foi indicado ao prêmio Grammy Latino na categoria Raízes."

João foi fazer a oficina e a mãe coruja, é claro, foi assistir. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Meu filho, ali, com flauta em punho, tocando com Carlos Malta. "Toca aí, João" dizia Malta. E João tocava. E Malta sorria. Foram 4 horas de workshop onde poucos 'aprendizes' puderam entremear pelos pifes, flautas e ainda a percussão do Pife Muderno. Puderam presenciar o 'escultor dos ventos' tocando Ponteio de olhos fechados, bem pertinho. Era quase divino. Os olhos de quem estava ali para aprender e admirar não piscavam, as bocas não fechavam. Era difícil até respirar com medo de perder alguma coisa.
E para encerrar dois dias de 'trabalho duro', o show. Aí é sem comentários!!!
O palco fica pequeno para tanto talento. É uma explosão de sons e ritmos, onde não dá para saber se é hora de aplaudir ou de chorar. Bem, eu fiz os dois ao mesmo tempo...
Esse fim de semana será inesquecível para mim e tenho certeza, para todos que estavam presentes nesse momento abençoado pelos deuses da música.

A prova do crime... - João Victor com Carlos Malta
e com Andrea Ernest Dias.




quinta-feira, 16 de julho de 2009

Aguardando...

Alice no País das Maravilhas dirigido por Tim Burton??
Com Johnny Deep??????
Não dá pra perder...


Mia Wasikowska, Johnny Depp, Anne Hathaway e Helena Carter

Alguém tem dúvida que será, no mínimo, interessantíssimo???

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Excluída...

Posso parecer preconceituosa com o que escrevo aqui hoje, mas me sinto excluída sim.
Hoje li no Twitter (aquela ferramentinha que me viciei) que os descendentes de escravos terão reparação financeira do governo. Sim, do governo, porque citando as palavras de Cristovam Buarque Esse dinheiro não vai sair dos donos de escravos, porque eles já morreram. Vai sair do Estado, portanto, vai sair do povo.” E ele completa: “Existem no país cerca de 80 milhões de afrodescentes, a medida poderia custar aos cofres públicos valor superior a R$ 16 quatrilhões.”
O país está querendo beneficiar tanta gente que chamam de minoria, que minoria hoje sou eu. Não tenho direito a meio ingresso em nada, filas preferenciais, cotas universitárias, assentos nos coletivos e outros, descontos em farmácias, gratuidade em transporte público. Explico. Não sou negra, idosa, gestante, estudante, obesa, deficiente, doente ou descendente de escravos...

Hoje sou minoria. Hoje sou excluída.

Eu apenas acho que algumas coisas são justas, outras nem tanto. É um assunto que fica ali no limite do preconceito para os mais alvoroçados. As coisas se tornaram delicadas demais de uns tempos pra cá e até para falar o que se pensa temos que reescrever o discurso três vezes.

Lembram quando Lamartine Babo escreveu “O teu cabelo não nega mulata, porque és mulata na cor...” Ninguém se melindrava. Há dois anos quando fiz um espetáculo de carnaval a produtora não incluiu essa letra para não ter problemas com o público (?????). Não dá para entender.

Na década de 80, ali atrás, Luiz Caldas cantava “Nega do cabelo duro, que não gosta de pentear...” e todos cantavam juntos. Não tinha maldade.

As pessoas tem que ter noção do que é respeitoso e do que é ofensivo. Mas tem sempre a turma do ‘vou te processar’ que não sabe separar nada. Ou sabem, mas vêem em tudo motivo para tirar proveito.

Não gosto da atitude de bater no peito e gritar: “Sou negro”, “Sou homossexual”, “Sou isso ou aquilo”. Afinal, somos todos iguais ou não? Tenha atitude, bata no peito e grite: “Sou ig
ual a você!” e ponto. Tirar proveito de raça, sexo, crença ou qualquer coisa parecida é também preconceito.
Sou caucasiana, balzaquiana e saudável. Não tenho direito a nada. Sou excluída pela sociedade. [Cabe aqui um solo dramático, mas a conversa é séria... rs]

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Não posso deixar de dar destaque a esse comentário sobre o texto acima!
Blogger Martha Moça disse...

Eh isso aí Rê!! vamos exigir cota para os albinos! hahahaha

Brincadeira... claro que não! O Brasil é formado por uma população extremamente heterogênea e acho que, pelo fato dela ser assim, é difícil para as pessoas enxergarem os vínculos que as unem como povo de uma nação... Daí o senso comum vai se perdendo no individualismo das “raças”. Sabe aquela máxima de que um erro não justifica o outro? Pois eu também acho que abrir uma exceção pra favorecer alguém vai fazer a regra da desigualdade social mudar! Fora que é ridículo, né? Esse monte de cotas, de preferências... O perfil do brasileiro em suma é carente... a partir daí ele oscila entre invejoso (quando acha que alguma classe ta sendo mais favorecida que ele) e solidário (qdo fica com peninha da que ele entende ter sido prejudicada). O governo tem que ensinar mais esse povo a pescar do que ficar dando o peixe através dessas esmolas que ele chama de “programa social” e o brasileiro tem que parar de querer sempre q dá um "jeitinho" d se sobressair... Como eu disse no twitter, se não for pela mídia, ele tenta tirando proveito da própria desgraça! É patético! A massa precisa entender a sua ascensão só vai acontecer quando houver uma ascensão em conjunto! E que medidas paliativas (vulgo tapar o sol com a peneira como o caso das cotas) não resolvem os problemas... Já to cansada de discursar sobre isso, mas o Brasil precisa ser re-educado (ai a nova regra do portuga agora, hein?!rs), precisa de novos valores e de sabedoria pra lidar com eles. Pra mim, a única esperança está nos nossos filhos/netos (e olhe lá).


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Eu me rendi...


Estou viciada no Twitter!
Hoje vi no próprio Twitter a notícia que o Orkut teve queda de 5% no inicio do ano, enquanto o Twitter cresceu 150%. Eu faço parte dessa estatística. Não passo mais um dia sem visitar e responder a famosa pergunta: “O que você está fazendo?”
Tenho a conta a mais de sete meses, mas só agora tive paciência de entendê-lo (não há nada muito específico para entender) e me manter informada através desse tal microblog.
Além das notícias em primeiríssima mão, afinal qualquer um pode acessá-lo de qualquer lugar do mundo também por celular, acabo me divertindo com tiradas engraçadas e algumas futilidades de quem eu sigo. Fala sério, né, não dá pra seguir só a CNN, a Globo ou empresários de primeira estirpe. Tem que seguir clássicos como o Victor Fassano (que não é o próprio), alguns membros do CQC e os amigos que são só famosos na roda de cerveja do bar da esquina.

Vi em outro blog uma definição legal de algumas funções do Twitter:
• Compartilhamento de informações e notícias – Que em casos de grande repercussão acontece em tempo real e muitas vezes as informações são dadas por pessoas que estão onde nenhum repórter chegaria.
• Amizades – Como toda rede social o twitter abre uma porta para novas amizades.
• Marketing – Para as empresas a ferramenta serve para divulgação de produtos, novidades e informações sobre a marca. Também é aplicado a sites e blogs que utilizam a ferramenta para se promover e manter contato com seus leitores
• Atendimento a Clientes – Essa prática é nova, mas está sendo utilizadas por diversas empresas, onde uma equipe acompanha todos os comentários feitos para um determinado produto ou marca da empresa, e filtra todos os ruins para que sejam verificados com o cliente.
• Válvula de escape – Pode não parecer mas sempre que você está em uma situação atípica ou que esteja lhe gerando problemas, uma “twittada” pode lhe ajudar a acalmar e devolver-lhe a razão.
• Chat – Algumas pessoas utilizam o twitter como chat, talvez por que não foi bloqueado na empresa ou porque simplesmente este é o uso que foi encontrado



Viu, é divertido, informativo, inteligente e não dói. Uma boa sacada.
Querem me seguir?
To lá/aqui.

domingo, 5 de julho de 2009

"Para que nossas noites nunca se apaguem"

Sumi, sumi, eu confesso. Faltou paciência, criatividade, novidade, ânimo... fazer o que?
A última semana passou recheada de problemas e não cabe desenrolá-los aqui.
Daí chegou sábado e Flávio Venturini me salvou.


Está rolando em Petrópolis o Festival de Inverno da Dell'Art e a atração de sábado foi o mineiríssimo (Belo Horizonte, 1949) que já faz parte de minha vida desde a adolescência. Lá pelos meus 12 anos conheci Linda Juventude e Planeta Sonho ainda no 14 Bis, namorei ao som de Todo Azul do Mar e Espanhola, casei ouvindo Besa-me, Noites com Sol, Clube da Esquina II, segui a vida com De Sombra e Sol, Anjo Bom, Céu de Santo Amaro, Amor Pra Sempre...
E agora tem trabalho novo por aí: Não Se Apague Esta Noite.

"Amo teus olhos castanhos da cor verde-mel
Devoro
Teus olhos de encantos tamanhos

Que são o prazer dos meus

Amo o riso mais lindo que Deus já criou
Adoro

Teus olhos de seda e de rosa

Que sã
o o melhor do amor
Olhos que falam de amar

Na beira do mar, das estrelas

Olhos que tiram
do mar
A luz, a cor

Quem te fez

Soube combinar o tom

Dos olhos de mel com a pele marrom

Luz marrom

Onde se escondeu o mar

Que só eu vi no teu olhar

Mar de corais

Verde-mel

Letais

Amo a pele morena do teu corpo nú

Adoro

Os pêlos, as coxas, os olhos que são o melhor do amor

Olhos que falam de amar

Na beira do m
ar das estrelas
Olhos que tiram do mar

A luz, a cor"

(O Melhor do Amor - Trio da pesada: Flávio Venturini/Ronaldo Bastos/Torcuato Mariano)

Foi uma noite para rir, me emocionar, chorar, confessar vida.
Foi uma noite de fechamento de ciclo.
Que venham coisas novas, coisas boas, coisas!!





























Fotos pessoais - Theatro D. Pedro - 07/2009
(Cara de felicidade esperando o show com meu sempre companheiro de aventuras e desventuras, Rodrigo Mayo)



PS. Quem vier comentar aqui que não conhece Flávio Venturini é porque esteve 'fora de órbita' nos últimos 30 anos... rs.