quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Apenas bons amantes...

Eles se conheceram na infância, ela com dez, ele com doze anos. Eram vizinhos, brincaram juntos, cresceram juntos, compartilharam amigos em comuns.

Ela namorou, noivou, casou, tudo antes dos vinte. Ele namorou, namorou, namorou... Continuaram vizinhos e o marido dela era amigo dele, as namoradas dele eram amigas dela. Se divertiam em noites de pizza, cinema, réveillons, viagens. Ela teve filhos, ele resolveu casar.

E depois de 16 anos, numa viagem entre amigos no carnaval de 2000, eles assistiam a TV, conversavam na madrugada e no meio da conversa uma declaração:

- Nunca percebeu que sou louco por você?

Aquelas palavras foram ditas sem a menor sutileza, no meio do nada e a pegou desprevenida.

- Acho que gosto de você desde que te conheci...

- Ahh... para com isso. Larga de ser bobo.

- É sério!

Ali, para que ela acreditasse, ele começou a descrever situações que ela nem se lembrava mais, mas que ele não esquecia para manter, até então, aquele sentimento platônico.

E a amizade inocente se tornou olhares e sorrisos proibidos.

Nada aconteceu. Ele investia, ela recuava.

Ela se separou. Ele se mudou com a esposa para um bairro distante.

Ela se perguntava como ele estava, mas não se permitia ligar para ele.

Ele pensava nela, mas agora, distante, não sabia mais se devia ter exposto o que sentia e queria.

Se viam tão pouco. Se esbarram na casa de amigos.

Mais dez anos se passaram...

2010 acabara de começar e um dia ela recebe um email dele. Era uma daquelas mensagens engraçadas que se encaminha para todos os contatos quando nada mais relevante se tem a fazer.

Ela manda um comentário:

“rsrsrs... Adorei! – Tudo bem com vc? Como foram as festas de fim de ano? Bjs”

Ele responde:

“Por aqui esta tudo tranqüilo, tudo foi bem...”

Pronto!

Em uma tarde de trocas de e-mail decidiram que tudo que ficou pendente nos últimos 26 anos seria enfim colocado em prática! Marcaram um encontro para aquela mesma noite. Ela se arrumou sem saber direito se deveria ser casual ou fatal. Optou pelo casual! Ele saiu do trabalho, foi em casa para ver a filha, deu uma desculpa esfarrapada e saiu. Ela entrou em seu carro com o sorriso nervoso e ele retribuiu. No caminho do motel, eles conversaram como bons amigos. Já na suíte, as palavras cessaram e eles se beijaram como bons amantes.

Mãos nervosas de repente não sabiam mais como se portar, mas a vontade era maior que a falta de jeito. Ela se entregou de corpo e ele acolheu da maneira que havia imaginado por tanto tempo. Ele se entregou em palavras e ela escutou e sem pensar retrucou cada virgula. Ainda eram amigos. Ainda teriam longas conversas sobre suas vidas. Mas é bem provável que a cada conversa de bons amigos, os beijos de bons amantes serão inevitáveis.


25 comentários:

Ana disse...

Oi Renata, Vi teu blog na brincadeira do orkut. E gostei muito. História interessante, e q já ouvi dizer q acontece muito. Um gde bj

Ana Lucia Nicolau disse...

Oi Rê, que situação!
realmente históras assim acontecem...
bjs e feliz 2010

Millena Blogueira disse...

Excelente história!
Acontece muito...

Bruno disse...

Muito bom hein...
acontece msmo

Guilherme Bayara disse...

Adorei a história.
O que me chamou mais a atenção foi a maneira de contar, pois os fatos em si não são muito novos. Mas foram descritos de maneira tão simples e gostosa de ler...

Um texto leve, adorei de verdade!!!

Inez disse...

Interessante essa história. Conheço um caso real parecido só que no final ele separou da esposa para ficar com ela.

Tangerine disse...

Que história linda... e texto melhor ainda. Me encantei, até porque sei como é guardar amor platônico assim (bem, acho que todo mundo sabe)=)
É verídico?

Jééh disse...

Oiee! Vi seu blog na comu do orkut.
Gostei do texto.. pior que só o que acontece hj em dia é isso. Amores mal entendidos, resulta em casos fora do casamento. rs.
Beijos!

Sequelanet disse...

Muito legal o texto e você escreve super bem! Isso acontece muito hoje em dia.
abraços

Robson Sales disse...

Só não gostei do diálogo. Sei que é difícil criar uma conversa consistente. Mas é isso, bom texto no mais.

Abraços, Robson
www.atrilhasonora.blogspot.com

[Pulga] Anderson Ferreira disse...

Nossa... A história é bem, "romântica" e é muito bem contada.
Só não gostei rápido diálogo que houve, mas foi muito bem narrado.

Abraços.

DsV disse...

nada como um ano novo para que novas coisas aconteçam...

Bullshit Rock disse...

Que história hein!

É veridica? ...

Amizade de infância sempre rola dessas depois de um tempo ^^

Estou seguindo.

Lilian Jabour disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gabriel Pozzi disse...

olá!
já gostei do blog desde o momento que vi sua auto descrição, que fala de literatura, música e teatro, coisas que adoro.
Li o texto e minhas expectativas para uma boa leitura foram bem correspondidas... um ótimo texto, bem tranquilo de se ler, com uma boa história que só deixa uma dúvida: real ou não? hahaha
gostei! =]

http://songsweetsong.blogspot.com/

Elcio Tuiribepi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Elcio Tuiribepi disse...

Oi Renata, achei legal a forma como você foi narrando a estória, ou história com H, verdadeira...rs
Um dia desses li algo parecido, mas verdadeiro mesmo, era um casal de idosos, que só conseguiu se reencontrar muitos anos depois. O legal é que o sentimento ainda estava vivo dentro deles apesar dos anos.
Com certeza pela idade deles a emoção deve ter sido forte.
Parabéns pela forma e pelo jeito como foi deixando as palavras seguirem seu rumo...
Um abraço na alma...bjo

Mulher na Polícia disse...

Como é que você consegue narrar com um certo ar de imparcialidade enquanto a gente fica aqui louco pra tomar partido?

Abraço!

Inez disse...

Re Obrigada pela sua visita.
Quanto a sua filha ela está numa fase que é muito difícil para o adolescente.
No blog tem algumas dicas de como escolher a profissão, mostre a ela e se ela não conseguir escolher o ideal é fazer uma Orientação Vocacional.

Anônimo disse...

Eita, parece minha história de vida, só que o final feliz ainda não rolou, quem sabe um dia...

BLOGdoRUBINHO
www.blogdorubinho.com.br
www.twitter.com/blogdorubinho

Pobre esponja disse...

Só uma dica: acho que tem muito "Ele" e "Ela", e em um texto quanto menos as palavras se repetirem, melhor.

bj
Pobre Esponja

Joao Carlos disse...

Quase eu pego a cabeça dos dois e junto hehehe

War Inside My Head disse...

Ótimo texto Renata!
Isso me faz lembra um Deja-vu!
É complicado não ser imparcial pois há dois pesos e duas medidas, uma vida a qual vc é cercado de compromentimentos, como familia, e matrimonio, e do outro lado o peso do passado, o convivio, o carinho e o pleno conhecimento!
Muito bom mesmo!

Beijos!

Camila disse...

Eu já passei por uma situação parecida.
Não exatamente igual, mas a parte de amigo e amante sim, rs.
Foi uma época complicada, mas tudo acaba bem no final.

Adorei a forma como você escreveu o texto, e adorei seu blog. Parabéns.

Beijos

Paulinha Leite disse...

Conheci um casal assim, meus tios... e o "melhor" da historia é que eles nao estao vivendo uma vida dupla, estao realmente juntos hoje em dia... é, nessa vida louca acontece cada uma...