quinta-feira, 8 de abril de 2010

Arnaldo Jabor - O Rio teve duas enchentes: a chata e a dramática

No Rio de Janeiro há duas enchentes, duas. Uma delas é drama. Atingiu a mim, por exemplo, que moro na Lagoa e fiquei ilhado. Chato, muitos outros perderam a hora, tiveram de andar de barquinho, carros boiando. Super chato.

A outra enchente é a tragédia. Barracos deslizando, famílias morrendo na lama. A catástrofe natural ilumina a catástrofe social. As pessoas não estão lá por imprudência, como dizem as autoridades, “ah, não medem o perigo”.

Não são imprudentes, são POBRES, não tem onde morar com segurança. A diferença entre drama e tragédia é que tragédia se encerra com a morte inevitável. No Rio há um tipo de tragédia que se repete como um drama sem fim.

O Rio fica mais visível não a luz do sol, com barquinhos na baia a deslizar. O Rio fica mais claro na chuva. Vemos a verdade que se esconde na paisagem. Uma cidade com a grande maioria de pobres e desamparados, a mercê de décadas de governantes irresponsáveis e corruptos.

Mas eles estão tranquilos, suas fichas sujas jamais serão exibidas, como vimos hoje (quarta) na Câmara Federal, que adiou o desejo de um milhão e meio de brasileiros.

Os irresponsáveis são até abraçados por político em campanha. Eles só esperam as águas baixarem e as notícias sumirem. Até outra tragédia em que a culpa é dos mortos.

qui, 08/04/10 por Arnaldo Jabor - Jornal da Glob0

4 comentários:

Elcio Tuiribepi disse...

OI renata, sabe que arrepiei aqui lendo um pequeno detalhe que muitas pessoas dexam passar e não entendem...
Um médico aqui de minha cidade sempre dizia: também, quem mandou fazer casa na beira do rio ou no morro, será que ele não entendem que um dia a casa cai...
Isso tornou-se uma necessidade, não fazem por não sabrerem dos perigos que correm e sim por não terem outra opção de vida, o porque de terem chegado a esta condição, ai já é outra conversa, ai já é outra estória, quem nasceu ali por exemplo não tem culpa, tem o destino a seu não favor, tem o destino contra...e mudar isso requer tempo, requer coragem e um tanto de sorte, pois a vida muitas vezes é cruel para uns e dadivosa para outros...mas enfim...desculpa Reanta...empolguei...rsrs
Mas lembrei deste médico que me tirava a calma ao fazer essas afirmações absurdas...iso mexe comigo...rsrs
Um abraço na alam e um beijo amigo...bom fim de semana...bjo

Mulher na Polícia disse...

Oi moça!!!

Todo ano é a mesma coisa...
Não há uma política habitacional no país capaz de organizar essa bagunça e as tragédias vêm acontecendo uma atrás da outra.

Isso não é fatalidade, não é culpa de Deus, que mandou castigo, ou coisas do gênero. É culpa nossa que não cobramos providências nesse sentido das autoridades competentes.

É grave a situação!

Bela postagem!

disse...

De fato a corda sempre arrebenta do lado do mais fraco! Em casos como esses de tragédia, (onde a omissão é política) o morto é q leva a culpa!!!!
simplesmente lamentável....

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado