quarta-feira, 20 de julho de 2011

Hoje, para meus amigos...


Amigo, toma para ti o que quiseres,
passeia o teu olhar pelos meus recantos,
e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
com suas brancas avenidas e canções.

Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este inútil e velho desejo de vencer.
Bebe do meu cântaro se tens sede.

Amigo - faz com que na tarde se desvaneça
este desejo de que todas as roseiras
me pertençam.

Amigo,
se tens fome come do meu pão.

Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
que sem olhares verás na minha casa vazia:
tudo isto que sobe pelos muros direitos
- como o meu coração - sempre buscando altura.

Sorris-te - amigo. Que importa! Ninguém sabe
entregar nas mãos o que se esconde dentro,
mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
e toda eu ta dou... Menos aquela lembrança...

... Que na minha verdade vazia aquele amor perdido
é uma rosa branca que se abre em silêncio...

Pablo Neruda in "Crepusculário"

4 comentários:

Madamenutso (Helo) disse...

Nossa, que lindo! Neruda! Amei! Beijo!

http://madamenutso.blogspot.com/

Juliana Manente disse...

Antes tarde, que nunca...
Feliz dia do amigo, amei a escolha do texto... hummmm essas músicas de fundo são inspiradoras, gosto de todas...
bjs

Ana Paula S. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana Paula S. disse...

Adorei. Amo Neruda :)

www.memoriaana.blogspot.com