
Millôr Viola Fernandes, nasceu no Rio de Janeiro em 1923.
Cartunista, jornalista, cronista, dramaturgo, roteirista, tradutor e poeta brasileiro.
Nasceu Milton, mas graças a uma caligrafia duvidosa, virou Millôr, o que veio a saber na adolescência.
Desde muito cedo começa a trabalhar e aos 15 anos entra para a revista O Cruzeiro. Em 1946, faz sua estréia literária com o livro Eva sem Costela - um livro em defesa do homem, e sete anos depois é montada sua primeira peça de teatro, Uma Mulher em Três Atos. Em 1964 edita a revista humorística O Pif-Paf, considerada uma das pioneiras da imprensa alternativa, e quatro anos depois participa da fundação do jornal O Pasquim. Cartunista, vem colaborando nos principais órgãos da imprensa brasileira; cronista, tem mais de 40 títulos publicados; dramaturgo, alcançou sucessos com Liberdade, Liberdade (em parceria com Flávio Rangel), Computa, computador, computa e É..; artista gráfico, tem trabalhos expostos em várias galerias de arte do Rio de Janeiro e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ. Faz roteiros de filmes, programas de televisão, shows e musicais e é um dos mais solicitados tradutores de teatro do país. Irônico, polêmico, com seus textos (aforismos, epigramas, ironia, duplos sentidos e trocadilhos) e seus desenhos constrói a crônica dos costumes brasileiros dos últimos sessenta anos.
Fonte: http://www.releituras.com/millor_bio.aspÉ trabalho para se deliciar que não acaba mais. Veja só:

REFLEXÕES SEM DOR
· Quando uma aeromoça manda apertar o cinto, muito bem. Mas quando quem manda é o ministro da Fazenda?
· Pensar. Eis um verbo reflexivo.
· Um homem está definitivamente velho quando aponta para o próprio sexo e diz: "Isto é um símbolo fálico."
· Chato é o sujeito que não pode ver um saco vazio.
· Todo dia leio cuidadosamente os avisos fúnebres dos jornais; às vezes a gente tem surpresas agradabilíssimas.
· Nunca deixe para amanhã o que pode deixar hoje.
· Se a morte é fatal, por que será que todo mundo deixa o enterro pra última hora?
· Tem o cérebro de um verdadeiro computador: comete erros inacreditáveis!
· É preciso ter coragem. É preciso dar pseudônimo aos bois.
· Ah, se a gente pudesse empenhar as bodas de prata!
· Televisão — um veículo eletrônico com tração animal.
· Fofoca a gente tem que espalhar rápido porque pode ser mentira.
· Quando muita gente insiste muito tempo em que você está errado, você deve estar certo.
· Tempo é dinheiro. Contratempo é nota promissória.
· Eu só não sou o homem mais brilhante do mundo porque ninguém me pergunta as respostas que eu sei.
· Essa gente que fala o tempo todo contra a corrupção está apenas cuspindo no prato em que não comeu.
· De madrugada, o melhor amigo do homem é o cachorro-quente.
· O cara que gosta de arranjar encrenca cada vez tem que andar menos.
· O maior teste da dignidade é um trambolhão.
· Se eu não soubesse o valor do dinheiro não vivia botando ele fora.
· A ostra pode ser pai num ano e mãe no outro. Andrógino é isso aí. O resto é bicha mesmo.
· Quem se mata de trabalhar merece mesmo morrer.
· Antes de entregar sua declaração de Imposto de Renda verifique bem se você omitiu tudo.
· Uma linda mulher de quarenta anos: cara e coroa.
Do livro "Reflexões sem dor", Editora Edibolso S.A. - São Paulo, 1977